• Ariomester Daniel

Como escolher o melhor software de gravação (DAW)?

O ano era 2016 e um renomado produtor musical brasileiro foi passar uns dias em Los Angeles. Voltou de lá chocado com o que viu. Seus amigos, que haviam se formado na mesma faculdade (americana) haviam inaugurado um estúdio e já emplacavam diversos hits nos primeiros lugares da BillBoard.


Mas o que deixou nosso amigo boquiaberto foi a estrutura do estúdio onde estes hits estavam sendo produzidos: uma sala bem pequena, com poucos microfones e nada muito caro. Caso você, querido(a) leitor(a) não conheça o nosso segmento de produção musical, infelizmente no Brasil, um estúdio de sucesso é tido como um ambiente repleto de equipamentos caríssimos...


Bem, se não tinham um enorme estúdio, como produziam tantos hits?


A resposta é simples: utilizando muito bem os recursos digitais de que dispunham, isto é, um computador bem poderoso repleto de plugins e ferramentas de altíssima qualidade.


Soa engraçado dizer isso, mas por mais que as evidências estejam diante dos nossos olhos, infelizmente muitas pessoas subestimam o poder de produção de um mero laptop fabricado nos últimos anos...


A tecnologia tornou-se acessível e a tendência é que se torne cada vez mais intuitiva nos próximos anos, ou seja, facultando a praticamente qualquer pessoa manipular áudio utilizando as mesmas ferramentas que são empregadas para gerar os maiores hits do mundo.


Uma peça-chave neste processo é a chamada DAW (ou estação de áudio digital, do inglês, Digital Audio Workstation).


Numa só tacada esta estação de trabalho em áudio substituiu uma grande parte dos equipamentos e processos que eram utilizados para se gravar.


Num mesmo programa existe um gravador digital, uma mesa de edição de áudio, uma mesa de som virtual, um gerenciador de midi e instrumentos virtuais e um dispositivo de sincronização entre áudio e vídeo.


Atualmente existem inúmeras DAWs no mercado e sendo bem sincero, todas elas entregam resultados semelhantes, para o usuário comum, ou seja, alguém não depende de recursos exclusivos a algmas plataformas para trabalhar.


Fica a questão: como escolher a melhor DAW?


A resposta é simples: escolha a que você achar mais bonita e confortável visual e ergonomicamente.


Provavelmente você terá mais problemas ao escolher um computador realmente poderoso para produção musical do que uma DAW que te atenda bem. Neste caso, um computador com menor poder de processamento pode tornar o processo de produção mais complicado, com paradas repentinas no processamento, lentidão de resposta e coisas do tipo.


Eu insisto que você escolha sua DAW em primeiro lugar pelo visual porque passamos literalmente 11 horas por dia ou mais olhando para aquelas janelas e botões. Se tem algo ali que te incomoda, algo que cansa o seu olhar, que te faz sentir que está trabalhando com um programa menos poderoso do que de fato é, mude de DAW.


Mas também não adianta uma DAW bonita cujos botões e janelas sejam confusos para você. A gente passa muitas horas por dia trabalhando nessas plataformas e precisamos de agilidade. Ergonomia é fundamental.


Cada pessoa terá uma preferência nesse sentido, ou seja, alguns acharão incrível um design minimalista, enquanto outros vão se sentir os melhores produtores do mundo usando um softwre difícil de entender devido ao enorme número de elementos visuais presentes.


Claro que existem exceções a esta regra, como por exemplo os engenheiros de áudio que trabalham em produções cinematográficas, mixando 600 canais ou mais. Este tipo de aplicação exige um sistema dedicado e nem todas as DAWs funcionriam bem neste cenário. Mas como eu disse, isso está longe de ser a regra, esse tipo de usuário é realmente uma exceção.


A maioria de nós vai produzir utilizando bem menos elementos e realizando bem mais ações de edição e para isto, todas as principais DAWs se comportarão de modo equivalente. Por isso não faz sentido escolher uma DAW só porque determinado estúdio usa.


Por outro lado, existe uma imensa diferença entre os diferentes plug-ins disponíveis no mercado. Apesar de os mesmos modelos de equipamentos analógicos estarem sendo replicados digitalmente (como plug-ins), existe uma grande diferença entre eles e vale a pena testar antes de comprar.


Um argumento bastante utilizado entre os maiores estúdios do mundo é que utilizando Pro-Tools um estúdio pode enviar a outro a sessão completa de gravação, por exemplo, para ser finalizada. A questão importante, neste caso seria: com qual frequência você envia ou recebe material a ser mixado em grandes estúdios?


Se é uma realidade que uma grande banda como Green Day grava seu álbum num estúdio de sua confiança e envia toda a sessão de gravação para um outro estúdio de confiança para mixar, isso ocorre também em nosso nicho de mercado?


Se a resposta é sim, ou seja, se você costuma trabalhar em parceria com outros estúdios onde determinada platafrma seja utilizada; ou se seu estúdio recebe frequentemente outros engenheiros de áudio ou produtores msicais, eu te aconselho a utilizar alguma DAW que a maioria de nós conhece e/ou utiliza, como Pro-Tools.


Porém, se assim como eu, você é quem grava, edita, mixa e por vezes masteriza, faz o arranjo e grava alguma coisa nas músicas dos seus clientes... não há o menor sentido em utilizar uma DAW simplesmente porque em outro lugar ela é utilizada.


Se você trabalha sozinho no seu estúdio, ou home studio, você deve se colocar no centro das atenções no que diz respeito à parte técnica. A DAW, plugins, posicionamento dos monitores e etc deve te trazer a maior segurança e conforto possíveis, porque ao final das contas é você quem passará todas aquelas horas olhando para uma tela de computador para editar e mixar músicas.


Vou listar abaixo as DAWs mais famosas para você conhecer e tomar sua decisão. Além do visual e da ergonomia, existem algumas coisas para se considerar antes de testar e comprar uma nova DAW:


1 - facilidade de uso (tutoriais, cursos, manuais de instrução etc).

2 - suporte técnico (pode ser via FaceBook, fórum, e-mail, etc).

3 - compatibilidade com os plug-ins que você quer usar.

4 - compatibilidade com o sistema operacional e computador que você vai usar.

5 - add-ons, ou seja, ferramentas adicionais que o fabricante oferece, como por exemplo, plug-ins exclusivos, samples, instrumentos virtuais etc.


A maioria das DAWs oferecem ou uma versão de teste gratuita (como o fazem muitos produtores de plug-ins), ou uma versão gratuita com menor capacidade de processamento, como reduzido número de canais de mixagem, por exemplo. Vale a pena conferir.


Principais DAWs (2018)


Pro-Tools (Avid) - https://www.avid.com/pro-tools


Studio One (Presonus) - https://www.presonus.com/products/Studio-One


Logic (Apple) - https://www.apple.com/br/logic-pro/


Reaper (Cockos Inc) - https://www.reaper.fm/


FL Studio (Image Line) - https://www.image-line.com/flstudio/


Harrisson Mixbus (Harrisson ) - https://harrisonconsoles.com/site/mixbus.html


Cubase (Steinberg) - https://new.steinberg.net/cubase/


Nuendo (Steinberg) - https://www.steinberg.net/en/products/nuendo/start.html


Sonar (Cakewalk) - https://www.cakewalk.com/products/SONAR/


Cakewalk (BandLab) - https://www.bandlab.com/products/cakewalk


Adobe Audition (Adobe) - https://www.adobe.com/br/products/audition.html



Forte abraço!!



ARI.

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