Preparado para fazer um show - parte 1

Nesta série de posts vou te mostrar como me preparo para um show importante que acontecerá em três dias. Vai ser um diário contando o que ocorreu em cada dia da preparação.


O show será o Recital de um grande amigo, como parte da sua Formatura em Música Popular. Ele me enviou 10 músicas pelo WhatsApp e eu devo aprendê-las até amanhã ao meio dia. Já são 20:36 horas e assim que terminar de escrever este texto vou abrir as partituras e áudios e me localizar em relação ao repertório.


No que eu vou prestar atenção neste momento:


1 - A forma das músicas (se elas possuem muitas partes diferentes)

2 - Se existe alguma parte que eu considere difícil

3 - Onde me parece fundamental que a bateria se destaque

4 - Onde pode ficar bem legal se eu tocar menos

5 - O que pode ser feito de forma simples (levadas simples, viradas simples)

6 - Onde parece que a banda vai precisar de alguma virada ou levada muito específica.


E as justificativas dos itens acima:


1 - A forma das músicas (se elas possuem muitas partes diferentes)


Toda música possui uma forma, ou seja, ela é constituída por diferentes partes, como por exemplo, a estrofe e o refrão. Entender a forma da música é muito útil para criar levadas e frases que facilitem o entendimento da música e do que ela quer transmitir. Além disso, num ensaio de última hora, dificilmente vão exigir que a gente saiba a música nos menores detalhes, mas vão considerar inaceitável não saber quantos compassos de pausa uma determinada parte tem.


Como eu vou prestar atenção nisso: anotando num caderno ou folha de papel as partes que constituem a música, ou marcando com um lápis na partitura onde começa e termina cada parte, caso o arranjador não as tenha indicado na partitura.


2 - Se existe alguma parte que eu considere difícil


Uma das atitudes mais inteligentes que se pode ter numa situação como esta é visualizar claramente onde há algo que seja difícil para eu executar. Essa percepção vem com a experiência e a minha atitude ao encontrar algo difícil é: ouvir novamente e tentar tocar conforme está escrito na partitura ou se ouve no áudio. Se eu conseguir tocar uns 70 a 80% do trecho difícil, vou me preparr para aprender os 20% que faltam até o dia do show. Se eu não conseuir tocar nem 70 a 80% do trecho difícil, vou buscar alguma alternativa, como por exemplo mudar a virada ou a levada em questão.


Como eu vou prestar atenção nisso: ouvindo atentamente ao repertório e me imaginar tocando enquanto escuto. Até fazendo no ar os movimentos que eu faria para tocar ("air drumming").Se em algum momento eu não conseguir me imaginar tocando algo ali presente, é porque é difícil.


3 - Onde me parece fundamental que a bateria se destaque


Nem sempre a bateria precisa ficar em evidência numa música. Muito frequentemente, 'menos é mais", ou seja, uma levada simples super bem executada vai funcionar muito melhor do que algo complicado e malfeito. Contudo, há momentos onde a bateria precisa se destacar, como em solos, viradas ou conduzindo alguma levada muito importante. será apenas um ensaio até o dia do show, então nã vale a pena "enfeitar demais" as levadas e viradas, pois o resultado pode ser desastroso para a banda. Então eu vou escolher as levadas e viradas mais simples que eu conseguir, destacando onde eu preciso me destacar e onde eu devo ficar em menor evidência.


Como eu vou prestar atenção nisso: anotando sobre as partes da música que eu anotei anteriormente, indicando onde é preciso me destacar e onde eu devo ficar em menor evidência.


4 - Onde pode ficar bem legal se eu tocar menos


Numa situação de "última hora" é fundamental que tudo corra bem e o público não perceba que foi tudo feito às pressas. Neste sentido, se eu puder ficar sem tocar algumas músicas, ou deixar de fazer levadas em algumas partes de algumas músicas eu gaho duas vezes - primeiro, porque é mais fácil contar pausa sem tocar do que tocar qualquer coisa que seja; e segundo porque esses momentos "sem bateria" trarão a ideia de um show bem arranjado e ensaiado, "até mesmo com um momento onde a bateria não toca", como muitos poderiam dizer.


Como eu vou prestar atenção nisso: anotando na mesma marcação do item 1) acima onde eu poderia ficar em silêncio, onde poderia substituir uma levada ou virada por um efeito mais simples, como fazer efeitos com os pratos e coisas do tipo.


5 - O que pode ser feito de forma simples (levadas simples, viradas simples)


Menos é mais. Acho que esta é uma das frases que mais utilizo aqui no estúdio. Quando se trata de um show a ser realizado quase sem ensaio ou tempo de preparação, menos é MUITO mais. Para o público, não faz uma diferença tão grande tocar uma levada muito complicada ou uma muito simples, a menos que... você toque uma levada simples e em seguida venha alguém e toque a mesma música com uma levada mais complicada. A esmagadora maioria das pessoas não vai ter em mente uma levada de bateria para comparar com as que eu irei tocar e tocando tudo dentro do esperado, vai soar bem. Portanto, se eu escolher levadas e viradas simples, mas tomando o cuidado de tocar no volume correto, com uma afinação linda e no andamento correto, vai ficar excelente. E vai facilitar a minha vida porque não vou precisar preocupar em fazer algo complicado.


Como eu vou prestar atenção nisso: quando eu for anotar as levadas, vou anotar as mais simples que eu conseguir conceber. Se vieram escritas nas partituras, vou começar tocando to do o repertório fazendo as coisas mais simples do mundo, como se eu fosse iniciante, mas respeitando todas as pausas e coisas do tipo. E à medida em que tocar mais vezes o repertório, antes e após o ensaio, vou gradualmente incrementando as levadas e viradas, mas sem me precipitar.


6 - Onde parece que a banda vai precisar de alguma virada ou levada muito específica.


Apesar de eu escolher o caminho mais simples, pode ser que em algum momento a banda precise que eu toque algo muito específico. Pode ser, por exemplo, uma levada onde a bateria toca algo junto com o baixo e precisa ser exatamente o que está indicado na partitura, ou presente no áudio. Ao invés de eu fazer este processo em relação a todo o repertório, vou anotar somente estes trechos e treiná-los bem, para ficar perfeito. E no resto do repertório vou utilizar levadas e viradas que eu já uso com frequência e conheço muito bem. Assim vai transmitir uma sensação de segurança muito grande para os outros músicos e vou poder me concentrar no timbre e volume do instrumento ao invés de prestar atenção demais ao que eu estou fazendo.


Como eu vou prestar atenção nisso: ouvindo o repertório prestando atenção na relação dos outros instrumentos com a bateria. Se em algum momento eu notar que o baixo, por exemplo, está tocando algo que precisa ser destacado com a bateria, eu anoto. Se eu não perceber isto, não anoto e manterei as levadas simples.


Bom, por enquanto é o que temos.


Vou baixar o repertório, dar uma ouvida e fazer minhas anotações. Amanhã volto com um breve relato de como foi o segundo dia de preparação e o único ensaio que teremos até o dia do show.


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Forte abraço!



ARI


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