Preparado para fazer um show - parte 2


Uma homenagem ao grande Arthur Maia

Antes de iniciar a segunda parte deste diário de preparação para um show muito importante, quero deixar minhas condolências à família e amigos do grande baixista Arthur Maia, falecido hoje. Ironicamente, uma das músicas do repertório que estou me preparando para tocar daqui a dois dias já previa uma música do Arthur Maia. Descanse em paz, Arthur.


Hoje foi o segundo dia de preparação para o Recital de Formatura do meu grande amigo e talentoso baixista Vinícius Carlos. Hoje também foi um dia agitado, com alguns compromissos pela manhã que não me deixaram tempo para estudar em profundidade o repertório.


Quando isso acontece, eu sempre busco a saída mais simples: tocar da forma mais simples possível, mesmo que soe um pouco vazio, ou um pouco óbvio demais, mas parafraseando o Érico Rocha "feito é melhor que perfeito", isso quer dizer, antes fazer simples e entregar um resultado do que tentar fazer algo muito complicado e não entregar resultado algum.


Como eu disse no post anterior desta série, eu faço um mapa das músicas para me guiar, quando não tenho uma partitura. Quando tenho uma partitura para bateria, procuro tocar exatamente o que está escrito, mas estar aberto a sugestões e ideias dos arranjadores. E curiosamente eles quase sempre me dizem "Ari, pode fazer algo um pouco diferente da partitura porque ela é somente uma guia".


Eu passei quatro anos no Bacharelado em Música da UFMG e aprendi a ler música à primeira vista, sobretudo partituras de bateria. Isso é um enorme diferencial, não porque te faz um músico mais capaz, mas porque quando eu leio uma partitura exatamente como está escrito, incluindo aí os erros de escrita de alguns arrajadores, eles ficam felizes e isso cria uma ligação profissional e musical muito importante.


Bem, neste repertório tem tanto partitura quanto transcrição, ou seja, algumas músicas posso me dar ao luxo de não escutar e somente ler o que está escrito, enquanto outras eu preciso ouvir e transcrever uma guia. elas não ficam exatamente bonitas, nem inteligíveis, mas para mim fazem todo sentido:



Minhas guias para músicas que não tinham partitura

Eu costumo escrever muito nas minhas partituras! Por isso sempre tenho uma cópia sem anotações em PDF ou impressa e bem guardada. Na partitura de "Teen Town" a diagramação meio que formou grupos irregulares de compassos por linha, porém a música pode ser entendida em blocos de quatro compassos. Então eu fui e marquei bem nitidamente onde estão os grupos de 4 compassos.



Marquei a partitura a cada quatro compassos para me localizar mais facilmente

Outra coisa importante numa situação como esta é marcar bem nitidamente onde preciso prestar atenção e onde há alguma alteração na partitura. Partituras de bateria muitas vezes apresentam muitas repetições de compasso e chega um ponto onde o cérebro está ignorando a leitura e simplesmente repetindo os movimentos e contando compasso. Por isso eu marco onde eu preciso prestar atenção com uma seta, assim quebrando o ritmo de leitura estilo "piloto automático" e me preparar adequadmente para tocar o que está escrito.



Sinais e indicações importantes para me tirar do modo "piloto automático"

Tomando essas atitudes fica muito mais fácil ler à primeira vista. E como eu disse, geralmente funciona assim: eu leio exatamente o que está escrito, o arranjador fica feliz e me diz para tocar do meu jeito mas respeitando as pausas, acentos e elementos muito importantes. Todos ficamos felizes.


Da minha experiência, quando a leitura à primeira vista vai mal, cria-se um clima de instabilidade que não é legal. então, novamente: feito é melhor que perfeito.


Mais adiante neste post eu volto a falar sobre partituras.


Bora ensaiar?

O vinícius tinha me pedido par gravar o ensaio e resolvi fazer uma gravação bem rápida e simples, utilizando dois canais e uma ligação MIDI. A interface utilizada foia Focusrite 2i4, que eu adoro, gravando num laptop que eu tenho desde 2012...



Focusrite 2i4: um show de interface


A banda é um trio: baixo, bateria e piano. Então fiz assim: captação da Bateria usando apenas um microfone Audio Technica 2050 (padrão cardióide, HPF e PAD desativados), o baixo sendo captado em linha a parir do "line out" do amplificador e o piano digital captado via midi. Ficou muito legal!!


Captação de Bateria - Audio Technica 2050

Captação de bateria - Audio Technica 2050

Captação de piano digital: MIDI

Apesar de estar gravando o piano digital via MIDI, a gente escutou o timbre de piano do próprio Yamaha P-95. Para que isso ficasse num volume legal, eu montei duas caixas ativas Datrel numa mesa SoundCraft 124 e ficou muito legal. Essas caixas são fabricadas no Brasil, não costumam ser tão caras quanto as concorrentes e oferecem um excelente resultado.



Caixa amplificada Datrel, utilizada no chão como monitor de ensaio

Mesa SoundCraft 124 utilizada para amplificar o piano digital

Eu gerei dois rquivos de áudio para matear a sua curiosidade de como soou essa gravação. Mas antes deixa eu te mostrar o que eu fiz.


Aqui na Rua Cinco Produções utilizo o Studio One 4 como DAW. E gravamos apenas três canais.

Captação dos instrumentos - 3 canais no Studio One 4

Eu gerei um arquivo de áudio da captação, sem nenhuma edição, plugin ou mesmo equilíbrio de volume. Em linguagem técnica, todos os faders em 0 dB. O som do piano é de um dos instrumentos virtuais que vieram junto com o Studio One 4 Professional.


Em seguida, utilizei alguns plugins para fazer uma mixagem bem rápida de um trecho do ensaio. Um que chamou a minha atenção foi o bx bassdude, que simula o amplificador Fender Bass Man. Muito bom!!


bx Bass Dude: um simulador sensacional do Fender Bass Man

Abaixo estão dois links. Um é da captação e o outro a mixagem que eu fiz em 5 minutos (literalmente). Nada mal para um ensaio e principalmente para captaçãod e bateria com apenas um microfone, não é mesmo?


Gravação do Ensaio


Mixagem do ensaio

E como prometido, antes de fechar este post e ir dormir (já pass da meia noite aqui em Belo Horizonte), vou deixar uma dica simples, mas valiosa para quando precisar ler muitas folhas de partituras para uma mesma música. Use fita crepe e cole umas nas outras, de modo que vire uma página bem grande.


Três folhas de partitura coladas como se fossem apenas uma grande folha

A colagem das folhas é feita com fita crepe. É importante que a gente consiga dobrar as folhas para guardar as partes sem que descolem.

Isso traz inúmeras vantagens em relação a ficar virando página em pasta de partitura ou enfileirando as folhas na estante. A primeira delas é conseguir visualizar mais facilmente a forma da música e se localizar mais rápido quando precisar voltar a uma página anterior para uma repetição, D.S., etc.


A segunda é que se você pregar um grampo de estender roupa em cada canto do bloco de partituras coladas, ela estará firme como uma rocha na sua estante.


E a terceira é que você pode enfileirar as partituras na ordem das músicas do repertório e assim quae acabr de tocar, você tira da estante um monte de folhas de partitura com apenas um gesto, evitando misturar páginas lidas com não lidas e coisas assim.


Truques que a vida ensina e a gente compartilha.


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Nos vemos amanhã!


Forte abraço!!



ARI

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