• Ariomester Daniel

Preparado para um show - parte 3



Chegou o dia do show!

Então chegou o dia do show!


Mas vamos falar sobre o domingo anterior ao show, que foi na segunda feira.


Haveria um ensaio para o show aqui no estúdio, mas não aconteceu. Eu aproveitei para tocar um monte de vezes as duas músicas mais complicadas, na minha opinião. E antes de falar sobre elas, quero explicar porque as considero as mais difíceis deste repertório.


Primeiro porque elas têm muitos detalhes, não estavam escritas e isso faz muita diferença.


E para piorar, a banda do show tinha bem menos instrumentistas que as bandas que gravaram essas duas músicas.


Além de que como eu imaginei que aconteceria, não teríamos tempo de ensaiar estas músicas.


A melhor solução, como falei no primeiro post desta série, foi aprender todos os detalhes da versão original, mas tocar de forma bem simplificada. Isso tem duas vantagens:


1 - Traz para a banda uma segurança maior do que tocar todos os detalhes, já que não teríamos tempo de ensaiar estes detalhes.


2 - Faz parecer que estamos tocando um arranjo inédito da música. Isso leva o público a prestar menos atenção em eventuais erros de performance.


Na segunda-feira realizamos um ensaio aqui no estúdio para aprendermos mais umas 5 músicas bem complexas para o Recital, que aconteceu horas mais tarde. Neste ponto ser um produtor musical faz muita diferença.


Um produtor musical é um gerenciador da produção de um trabalho musical, seja um show, um álbum, uma turnês, etc. Ele (ou ela) é um gestor e supervisiona o processo. Por isso deve estar atento ao rendimento dos músicos durante o processo e criar formas de melhorar o processo produtivo.


O ensaio foi um pouco tenso por conta da ansiedade em ter que realizar o show logo em seguida; as músics serem difíceis e a banda não ter ensaiado junta nem uma vez.


Como eu gerenciei esta situação:


1 - Fiz questão de criar momentos de descontração, para aliviar a tensão, mas sem perder o foco (contando piadas, trocadilhos, histórias bem curtas mas engraçadas).


2 - Concentrei meus comentários no que estava sendo tocado certo e não no que estava errado.


3 - Trouxe um lanche simples para o pessoal (o café é sempre por nossa conta aqui na Rua cinco Produções).


4 - Orientei como simplificar os arranjos para soar bem e ser mais fácil de tocar.


5 - Incentivei tocarmos músicas simples que iriam ficar de fora do repertório, pois elas dão segurança à banda.


Essas ações criaram uma ambiência mais descontraída e que trouxe um resultado muito bom, como podemos assistir nos vídeos a seguir: duas músicas que tocamos todos juntos pela primeira vez no próprio Recital:


Yellow Jackets - 7 Summers https://youtu.be/KsxEd6lWpmM



Arthur Maia - Arthur e o Gigante https://youtu.be/6foY-6akCgU


Durante show, é muito importante manter a mesma postura, por duas razões: primeiro porque uma boa postura significa que teremos maior qualidade de vida. E segundo porque leva ao público a ideia de que este é o meu estio de ser e tocar bateria, quando na verdade era apenas uma postura favorável a tocar bateria lendo partitura ou prestando máxima atenção no que está sendo tocado.

Recital de Formatura - Música Popular UFMG

Numa situação onde o repertório foi pouco ensaiado, é muito importante estar atento a tudo que est´pa sendo tocado,especialmente se for música instrumental, como era o caso. Ao invés de ficar olhando para os outros músicos para "adivinhar" qual a próxima parte da música, é melhor se concentrar pra seguir as cadências harmônicas e melodias e a partir delas se orientar.

Concentração total para acompanhar as cadências e melodias

Contudo, é muito importante olhar para os outros músicos porque isso traz segurança e ajuda a seguir as suas improvisações.

Olhar para os instrumentistas ajuda muito na hora de tocar

O local do show foi o auditório da Escola de Música da UFMG, que tem uma péssma acústica para música popular. Neste local devemos tocar o mais leve possível e mesmo assim não fica soando tão bem.


Tocar leve tem uma segunda vantagem em situações como a do Recital: poder construir levadas e fraseados pouco a pouco, já que estava tocando leve.


Se você pensar bem, fazer uma levada carregada de notas e detalhes faz as coisas parecerem muito mais pesadas do que simplesmente marcar o tempo no prato de condução. Esse é o raciocínio que segui: criar climas, momentos e dinâmicas a partir de elementos muito simples, como ficar em silêncio (pausa) ou simplesmente marcar o tempo usando o prato de condução.


Essa estratégia evita que a banda se perca, já que não houve tempo pra ensaiar, dando espaço aos instrumentistas, podendo carregar a músicaa qualquer momento, seguindo um solo improvisado, por exemplo.


Abaixo mais imagens do show:

Atenção à postura: tocando uma música pela primeira vez ao vivo durante o Recital

Observe a foto anterior e a seguinte: na primeira foto, estou tocando algo que nunca tinha ouvido (e não era uma música simples). Agora observe ab aixo a minha postura tocando uma das poucas músicas que de fato ensaiamos e que tinha partitura. Estou lendo-e-tocando ao mesmo tempo.


Atenção à postura! Lendo uma partitura e tocando bateria no Recital

Reparou que a minha postura e gestual não mudam muito durante este tipo de show?


Isso é de propósito, para que a platéia não perceba o que eu estou fazendo melhor ou pior: vão achar que é meu jeito de ser e assim eventuais erros serão automaticamente minimizados e acertos maximizados. #ficadica

Recital de Formatura UFMG

Ao final das contas, deu super certo! Fomos muito elogiados. Eu não esperava ouvir tantos comentários tão positivos.

Para fechar este post, desejo tudo de melhor ao Vinícius nesta nova fase, agora turbinado pela graduação em Música na UFMG.


Forte abraço!



ARI.

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